
segunda-feira, 27 de abril de 2009

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Não pense você, no entanto, que esta é uma vovó como outra qualquer, daquele tipo carinhoso e adorável: na verdade, Georgia é uma mulher inflexível que move sua vida por meio de uma série de regras absolutamente inquebráveis de moral, bons costumes e muito trabalho duro. Em uma jornada que vai virar a pequena cidade de Georgia de pernas para o ar, estas três mulheres vão descobrir obscuros segredos de família e vão acabar aprendendo que, não importa o que aconteça, os laços que as unem jamais podem ser quebrados.
segunda-feira, 20 de abril de 2009

Ficha Técnica
Título Original: Che: Part One
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 126 minutos
Ano de Lançamento (EUA / França / Espanha): 2008
Site Oficial: www.che-movie.co.uk
Estúdio: Wild Brunch / Morena Filmes / Estudios Picasso / Section Eight / Laura Bickford Productions / Telecinco
Distribuição: IFC Films / Europa Filmes
Direção: Steven Soderbergh
Roteiro: Peter Buchman, baseado em livro de memórias de Ernesto "Che" GuevaraProdução: Laura Bickford e Benicio Del Toro
Música: Alberto Iglesias
Fotografia: Steven Soderbergh
Desenho de Produção: Antxón Gómez
Direção de Arte: Laia Colet e Maria Clara Notari
Figurino: Sabine Daigeler
Edição: Pablo Zumárraga
Elenco
Benicio Del Toro (Ernesto "Che" Guevara)
Demián Bichir (Fidel Castro)
Julia Ormond (Lisa Howard)
Rodrigo Santoro (Raul Castro)
Maria Isabel Díaz (Maria Antonia)
Ramon Fernandez (Hector)
Yul Vazquez (Alejandro Ramirez)
Jose Caro (Esteban)
Pedro Adorno (Epifanio Díaz)
Jsu Garcia (Jorge Sotus)
Santiago Cabrera (Camilo Cienfuegos)
Roberto Santana (Juan Almeida)
Vladimir Cruz (Ramiro Valdés Menéndez)
Marisé Alvarez (Vilma Espín)
Elvira Mínguez (Celia Sánchez)
Andres Munar (Joel Iglesias Leyva)
Liddy Paioli Lopez (Quike Escalona)
Pedro Telémaco (Eligio Mendoza)
Eugenio Monclova (Emilio Cabrera)
Luis Gonzaga Hernandez (Lalo Sardiñas)
Jose A. Nieves (Dr. Julio Martinez Paez)
Catalina Sandino Moreno (Aleida March)
Armando Riesco (Benigno Ramirez

sábado, 18 de abril de 2009

Direção: Wolfgang Becker
» Roteiro: Wolfgang Becker, Bernd Lichtenberg
» Gênero: Drama
» Origem: Alemanha
» Duração: 121 minutos

Ficha técnica
Título Original: Romance
Título em Português: Romance
Duração: 100 minutos aprox.
Diretor: Guel Arraes
quinta-feira, 16 de abril de 2009

Georgiana Spencer era bela, carismática e adorada pelo povo. Em sua vida particular, era uma mulher vulnerável, cuja inteligência constituía a principal arma para burlar a rígida sociedade inglesa do fim do século XVIII. Casada com o riquíssimo Duque de Devonshire, interessado apenas em ter um herdeiro, Georgiana rompeu todas as convenções, entregando-se a grandes paixões extra-conjugais e engajando-se junto ao Partido Liberal. Sua história ressoaria por anos na sociedade britânica, inclusive dois séculos depois, numa de suas descendentes diretas: Diana Spencer, a Lady Di. Otima dica para o fim de semana.
Gênero: Drama
Duração: 110 minutos
Origem: Reino Unido - Itália - França
Direção: Saul Dibb
Roteiro: Saul Dibb, Anders Thomas Jensen, Jeffrey Hatcher
Produção: Michael Kuhn, Gabrielle Tana
Elenco:
Keira Knightley (Georgiana) Ralph Fiennes (Duke de Devonshirev Charlotte Rampling (Lady Spencer) Dominic Cooper (Charles Grey ) Hayley Atwell (Bess Foster ) Simon McBurney (Charles Fox ) Aidan McArdle (Richard Brinsley Sheridan) John Shrapnel (General Grey ) Alistair Petrie (Heaton ) Patrick Godfrey (Dr. Neville

Um filme indiano a fazer sucesso em Holliwood. O tão conhecido programa de televisão “Quem quer ser milionário” até já dá em filme. A pergunta que marca o filme todo é como é que um jovem sem estudos e basicamente analfabeto consegue ganhar o prémio máximo tendo em conta que nem as pessoas mais cultas conseguem chegar a meio! Uma história bem conseguida, mesmo mantendo aquele estilo típico de filme indiano, que te mantem sempre ansioso por saber como consegue responder à pergunta seguinte! Eu já tive o prazer de ver este filme. Recomendo.
quarta-feira, 15 de abril de 2009

Pedro Almodóvar tem um dom raro. Ele consegue transformar histórias bizarras em obras de arte únicas de sensibilidade extrema. Tais histórias, em mãos erradas, poderiam se tornar meros melodramas fadados ao fracasso e ao escracho geral, tanto de público quanto de crítica. Em Tudo Sobre Minha Mãe, o diretor consegue o seu trabalho máximo, com características marcantes de toda sua filmografia, como por exemplo o seu amor declarado pelas mulheres, o drama íntimo e pessoal de cada personagem trabalhado de maneira única e tudo recheado com as melhores referências cinematográficas possíveis, nunca beirando o plágio ou oportunismo.
Esteban (Eloy Azorín) é um precoce escritor de dezessete anos que, em seu aniversário, pede como presente a sua mãe, Manuela (Cecilia Roth), para ir a uma apresentação da peça "Um Bonde Chamado Desejo" (no cinema, Uma Rua Chamada Pecado, com Marlon Brando e Janet Leigh). Após o término, Esteban espera ansiosamente pela saída da estrela Huma Rojo (Marisa Paredes) dos camarins, a fim de pegar um autógrafo com ela. Em meio ao temporal, Esteban é atropelado, falecendo logo a seguir no hospital. Sozinha, sua mãe decide voltar para Barcelona, cidade de onde fugira há alguns anos atrás, para encontrar o pai do menino, que vive como travesti, e dar-lhe a difícil notícia.
No caminho de Manuela cruzam diversos outros personagens, como Agrado, sua grande amiga travesti interpretada por Antonia San Juan; Hermana Rosa, uma boníssima mulher que trabalha em uma instituição de ajuda às pessoas, interpretada pela bela Penélope Cruz (Vanilla Sky, Profissão de Risco); e a própria Huma Rojo, interpretada pela ótima Marisa Paredes, atriz em franca expansão no circuito internacional. Há ainda alguns personagens secundários, como os pais da irmã Rosa e a própria Lola, pai de Esteban, que aparece na história quase no fim, mas com sua importância justificada ao extremo.
O bacana é que nada é gratuito, tudo está em seu mais perfeito lugar. Todos os personagens que rondam a vida de Manuela trazem algum significado novo, uma reflexão ou dão força para as suas ações. Almodóvar vai costurando todas as pontas dos dramas individuais com seu tradicional modo de nos prender à história, por mais bizarra que sua sinopse possa ser. Os acontecimentos estão lá, mas em nenhum momento soam artificiais ou gratuitos. Esse é seu grande mérito, nos fazer acreditar que todo o mundo que está construindo é verossímil, que podem existir pessoas com esses pensamentos e atitudes. Para construir esse seu grande e bizarro ambiente, Almodóvar usa e abusa das cores fortes nos cenários, nos figurinos e das mais belas canções latinas, características fortes de toda sua filmografia.
Apesar de soar meio absurdo para os menos acostumados aos seus trabalhos, o roteiro do Almodóvar é sempre coerente e com conteúdo. Ele não nos poupa das probabilidades que os rumos de suas histórias vão tomando, mas também não deixa que os acontecimentos soem em tons ofensivos. Quanto mais ele vai abrindo seu leque de situações com pequenas reviravoltas, mais vai construindo um background rico para seus personagens e humanizando seus dramas. Não existem heróis nem vilões, apenas pessoas que erram ou acertam em suas vidas. O roteiro reserva ainda espaço para discutir a força e admiração às mulheres que Almodóvar assumidamente tem, porque, tirando o falecido Esteban, todos os personagens principais são femininos, sejam homens ou mulheres.
Para rechear ainda mais o conteúdo de seu trabalho, o diretor faz duas belíssimas homenagens à obras já clássicas. A mais óbvia é a peça que ambientaliza a personagem Huma, Um Bonde Chamado Desejo. A cada vez que via um dos personagens exercitando o seu potencial em cena, sentia um enorme prazer ao lembrar do belíssimo filme já citado no início desta matéria, Uma Rua Chamada Pecado. O mais interessante é que Almodóvar faz uma referência bastante explícita ao filme A Malvada, incluindo ainda uma cena do original em seu filme que, mais para a frente, se repetiria em atitude pelos personagens. Nina, que faz uma das protagonistas da peça com Huma, acusa Manuela de estar agindo com Huma exatamente como Eve estava agindo com Margo, resultado da cena exibida pelo diretor na obra original.
Uma obra tão rica e complexa não poderia passar despercebida pelas premiações ao redor do mundo. Tudo Sobre Minha Mãe faturou diversos prêmios, entre eles o Oscar e o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro, a Palma de Ouro de Direção para Almodóvar em Cannes e sete prêmios Goya, incluindo filme e diretor. Almodóvar voltaria a ser premiado no Oscar dois anos depois, só que dessa vez em uma outra importante categoria, a de Roteiro Original, com seu diferente, porém não menos esplêndido Fale com Ela. Neste mesmo ano, conseguiu também uma surpreendente (porém justíssima) indicação ao prêmio de Melhor Direção, que acabou ficando com Roman Polanski e sua obra-prima O Pianista.
Para quem gosta de cinema diferenciado, que priorize a história e que não deixe de lado uma boa técnica, sabe que os trabalhos do diretor espanhol são mais do que obrigatórios. Considero Tudo Sobre Minha Mãe sua obra prima, mas fica o aviso dos temas pesados que Almodóvar aborda, que podem não agradar aos mais conservadores. Ele faz com que o incomum seja natural, que o escuro se torne claro, na mais bela poesia visual desse maestro sensível na arte de fazer cinema.
segunda-feira, 13 de abril de 2009
quarta-feira, 8 de abril de 2009

Elenco:
Colin Firth,
Christine Baranski,
Pierce Brosnan (Sam),
Stellan Skarsgård,
Meryl Streep,
Amanda Seyfried.
Direção: Phyllida Lloyd
Gênero: Musical
Duração: 108 min.
terça-feira, 7 de abril de 2009
segunda-feira, 6 de abril de 2009

Eusebio Poncela .... Pablo Quintero
Carmen Maura .... Tina Quintero
Antonio Banderas .... Antonio Benítez
Miguel Molina .... Juan Bermúdez
Fernando Guillén .... inspetor de polícia
Manuela Velasco .... Ada, niña
Nacho Martínez .... doutor Martín
Bibiana Fernández .... Ada
Victoria Abril .... garota com Juan
sábado, 4 de abril de 2009

Sinopse:
Título Original: Elizabethtown
Gênero: Comédia Romântica
Tempo de Duração: 123 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2005
Site Oficial: www.elizabethtown.com
Estúdio: Paramount Pictures / Cruise/Wagner Productions / Vinyl Films
Distribuição: Paramount Pictures / UIP
Direção: Cameron Crowe
Roteiro: Cameron Crowe
Produção: Cameron Crowe, Tom Cruise e Paula Wagner
Música: Nancy Wilson
Fotografia: John Toll
Desenho de Produção: Clay A. Griffith
Direção de Arte: Beat Frutiger
Figurino: Nancy Steiner
Edição: Mark Livolsi e David Moritz
Efeitos Especiais: Digital Filmworks Inc. / Flash Film Works
Orlando Bloom (Drew Baylor)
Kirsten Dunst (Claire Colburn)
Susan Sarandon (Hollie Baylor)
Alec Baldwin (Phil DeVoss)
Bruce McGill (Bill Banyon)
Judy Greer (Heather Baylor)
Jessica Biel (Ellen Kishmore)
Paul Schneider (Jessie Baylor)
Loudon Wainwright III (Tio Dale)
Gailard Sartain (Charles Dean)
Jed Rees (Chuck Hasboro)
Paula Deen (Tia Dora)
Dan Biggers (Tio Roy)
Alice Marie Crowe (Tia Lena)
Tom Devitt (Mitch Baylor)

Uma de minhas maiores paixões é o cinema. A outra são os livros. Não vou continuar a lista porque senão deixo de escrever o que me propus, mas na relação entram música, chocolate, quadrinhos, sexo, amigos, viagens…não necessariamente nessa ordem.
No começo da semana passada segunda-feira 31.03.09, uma amiga levou um filme para vêr na minha casa - ‘O Labirinto do Fauno’ - (Pan’s Labirinth/El Laberinto del Fauno -Gilhermo del Toro - Espanha/Mexico- 2006) e foi simplesmente FENOMENAL.
A sinopse é a seguinte: Ofelia é uma menina linda e solitária de 11 aninhos, orfã de pai e cuja mãe, para sobreviver em plena Guerra Civil Espanhola, se casa com um oficial fascista (de quem está grávida) e muda-se da capital para uma casa de campo, onde o futuro marido mora. O militar em questão, passa os dias limpando armas, lustrando as botas, caçando e torturando cruelmente rebeldes das aldeias ao redor de sua propriedade, é assim, como diríamos? Um doce de pessoa.
Ofelia se sente deslocada, sozinha numa casa velha e enorme, longe da mãe que está acamada, pois sua gravidez é de risco, e escurraçada pelo militar das botas brilhantes e mãos sangrentas. Seus únicos amigos são a governanta e…os livros. Sempre eles.
E graças a eles, Ofelia consegue sobreviver às dores e estranhamentos do mundo que a cerca criando seu próprio universo.
O Labirinto do Fauno é um filme extremamente belo, lúdico, triste e denso.
Essa foi a primeira razão pela qual fui ver o filme. A segunda foi pelo fato de ser dirigido por Guillermo del Toro (Hellboy e o ótimo A Espinha do Diabo) um mestre nos efeitos visuais, fotografia e beleza plástica.
Os elementos fantásticos do filme são de embasbacar, a fotografia e iluminação, sempre obscura, soturna passa um clima pesado, difícil e entra em contraste com a doçura e e fascinação exercidos pelos seres de contos de fada que aparecem na trama. Todo o visual do filme é riquíssimo, belo, extremamente trabalhado, nos mínimos detalhes. Um festim visual, um labirinto de sonho, fantasia, magia, arte, sensações e sentimentos no qual você não se perde, se encontra.
Uma boa dica assista! Mas atenção: Não pensem que se trata de um filme de crianças, ou para crianças. Há cenas chocantes, violentas e um clima de horror iminente presente só nos melhores suspenses de Hollywood. Aliás, a única crítica que tenho ao filme é referente ao excesso de violência. É bem exagerado, porém nunca fora de contexto. Bom filme
sexta-feira, 3 de abril de 2009
O SEGREDO DO GRÃO - FRANÇA - 2008O filme O Segredo do Grão. O foco está mais no início da terceira idade, pois acompanhamos um senhor que se divorcia e monta, com a ajuda de toda a família, um restaurante num barco. Se ele tem ajuda, tem também muita gente “jogando olho gordo”, dizendo que não vai funcionar, reclamando dos preços, o que obrigaria a concorrência a baratear seus produtos para não ser engolido; em suma, uma dezena de problemas se manifestam paralelamente ao esforço da inauguração. Slimane Beiji (Habib Boufares) tem 60 anos e enfrenta um divórcio após anos de casamento. Sem emprego nem salário, ele é obrigado seguir dependente de sua família, transformando-o num homem inútil para a sociedade e fracassado. Até que decide mudar esta situação e vai atrás de seu maior sonho: abrir um restaurante.
| Gênero: | Drama |
| Tempo: | 151 min. |
| Lançamento: | 11 de Jul, 2008 |
| Lançamento DVD: | Mar de 2009 |
| Classificação: | 14 anos |
Um filme de diretora Laís Bodanzky, levou o cinema brasileiro a todos lugares do mundo com cenas fortes do dia-a-dia do adolescente neto.Seu Wilson e seu filho Neto possuem um relacionamento difícil, com um vazio entre eles aumentando cada vez mais. Seu Wilson despreza o mundo de Neto e este não suporta a presença do pai. A situação entre os dois atinge seu limite e Neto é enviado para um manicômio, onde terá que suportar as agruras de um sistema que lentamente devora suas presas.
Premiações- Ganhou 7 prêmios no Grande Prêmio BR de Cinema, nas seguintes categorias: Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Ator (Rodrigo Santoro), Melhor Ator Coadjuvante (Othon Bastos), Melhor Roteiro, Melhor Trilha Sonora e Melhor Montagem. Foi ainda indicado nas categorias de Melhor Ator Coadjuvante (Caco Ciocler), Melhor Atriz Coadjuvante (Cássia Kiss), Melhor Fotografia, Melhor Som e Melhor Edição de Som.- Ganhou 7 prêmios no Festival de Brasília, nas seguintes categorias: Melhor Filme- Prêmio do Público, Melhor Filme - Prêmio da Crítica, Melhor Filme - Prêmio do Júri, Melhor Direção, Melhor Ator (Rodrigo Santoro), Melhor Ator Coadjuvante (Gero Camilo) e Melhor Fotografia.- Ganhou 9 prêmios no Festival de Recife, nas seguintes categorias: Melhor Longa de Ficção, Melhor Direção, Melhor Roteiro, Melhor Ator (Rodrigo Santoro), Melhor Ator Coadjuvante (Gero Camilo), Melhor Atriz Coadjuvante (Cássia Kiss), Melhor Trilha Sonora, Melhor Som, Melhor Montagem e Melhor Som.
quinta-feira, 2 de abril de 2009

Quatro Noites com Anna - Polônia - 2008
Uma história de amor muito particular é retratada em "Quatro Noites com Anna", filme que marca a volta na direção, após 17 anos, do veterano polonês Jerzy Skolimowski, realizando um filme delicado, que fez parte da seleção da Quinzena dos Realizadores do último Festival de Cannes.
Leon (Artur Steranko) é um homem ignorante, pobre e solitário, que passa seus dias cuidando de uma avó doente. Já cumpriu pena por um estupro que não cometeu, apenas presenciou, da enfermeira Anna (Kinga Preis). A vítima não o reconheceu, mas não quis depor, e Leon foi julgado por provas circunstanciais.
Ele desenvolve por Anna uma intensa paixão à distância, passando seus dias observando-a da janela de sua casa. Com o tempo, ousa entrar em seu quarto todas as noites, observando-a dormir depois de misturar secretamente calmante no açúcar que ela coloca no seu chá.
Com poucos diálogos, o filme tem uma narrativa apoiada no bom trabalho do diretor de fotografia Adam Sikora e na montagem delicada de Cezary Grzesiuk. Vencedor do Urso de Ouro em Berlim em 1967 por "Le Départ" e cinco vezes concorrente à Palma em Cannes, o diretor Skolimowski, de 70 anos, realiza aqui um trabalho muito consistente, cujo clima poético guarda alguma semelhança com "Não Amarás", de seu compatriota Krzysztof Kieslowski (1941-1996).

UP, de Pete Docter, o novo filme de animação da parceria Pixar-Disney, é o filme escolhido para a abertura do 62° Festival de Cannes (13 a 24 de maio de 2009). Não será apenas a primeira animação a inaugurar o Festival de Cannes. Os convidados da sessão irão experimentar o melhor da tecnologia de projeção digital em 3D, com direito a óculos polarizados. UP estréia nos Estados Unidos e no resto do mundo a partir de 29 de maio.

Roteiro
Julio Bressane, Rosa Dias
Fotografia
Walter Carvalho
Montagem
Rodrigo Lima
Música
Guilherme Vaz
Elenco
Alessandra Negrini, Selton Mello
Produtor
Marcello Maia, Bruno Safadi
Produtora
República Pureza Filmes, TB Produções
80 minutos
color, 35mm
terça-feira, 31 de março de 2009


MILK - USA - 2008
Milk incomodou a direita conservadora norte-americana pregando direitos civis; fazendo milhares de pessoas marcharem em prol de uma causa que para seus opositores era a destituição da família, base da sociedade; para eles, Milk pregava pela imoralidade. Mesmo assim, as balas que tiraram a vida do ativista, convertido em uma espécie de vereador (nos moldes da democracia estadunidense) veio de um confronto de poder político e não, verdadeiramente, de uma questão ideológica.
No filme de Gus Van Sant, a violência que assassina Harvey Milk é mais primordial. E quando ela surge, nos lembra que o mundo nunca esteve polarizado, que essa história de mocinhos e bandidos é coisa exclusiva de uma certa dramaturgia que o próprio Van Sant faz questão de renegar (vide Elefante, uma obra emblemática nesse sentido).
Milk conta a trajetória deste homem, um homossexual que galgou posição política na época em que São Francisco via gays sendo espancados por policiais; numa época em que se discutia a demissão de professores que fossem homossexuais. Milk se tornou o primeiro vereador norte-americano assumidamente gay.
Em um decurso de oito anos, Milk passa de empresário (dono de uma pequena loja de fotografia) a líder de uma causa. Nesses anos, Milk vira o protagonista de uma mudança que hoje faz muita gente ter a liberdade de assumir suas posições sexuais sem o medo de ser morto. E antes que bradem com números e recortes de jornais, sim, eu sei que ainda há um preconceito gigantesco, e que mesmo em grandes cidades (no Brasil ou nos Estados Unidos) há assassinatos e abusos físicos, há humilhações e piadas de humor duvidoso. Sei disso tudo, mas os avanços são inegáveis.
Na trajetória que leva Harvey Milk ao poder, ele aprende o que há de mais elementar na política, a negociação. Desde os primórdios do movimento (quando não passava de um gueto em São Francisco restrito a um quarteirão), Milk se viu obrigado a confluir seus interesses (e os do movimento) com os outros muitos que se chocam durante a torrente que são esses oito anos. E como um porta voz do próprio Gus Van Sant, Milk em muitos momentos insiste em não polarizar as discussões entre héteros e homossexuais. Porque ele entende que a vitória de seus direitos está em entender uma sociedade como unidade (com todas as suas variantes) e não em fazer suas posições em detrimento do outro.
Assim, o militante quer ir mais longe do que apenas sua posição de gay assumido e líder de uma causa possa sugerir. Harvey sabe que seu papel não é apenas o de ser uma voz contra o conservadorismo, mas também o de formador de opinião – ou ainda mais importante – o de transformador de opiniões. Ciente disso, em uma das primeiras posições assumidamente políticas do personagem, ele renega o rabo de cavalo e a barba (que o deixam com cara de hippie) e passa a trajar-se de terno.
Encarando Milk como um filme também político, fica-se claro que as opções estéticas empregadas por Gus Van Sant vão na mesma direção do seu personagem. Gus Van Sant é reconhecido como um realizador radical, que leva suas narrativas a patamares muito abstratos. Neste Milk, porém, não. As bases do seu roteiro são absolutamente convencionais. Nesse filme, Van Sant veste o terno de Harvey Milk, mas nem por isso perde a mão, nem por isso esquece que seu veículo é o cinema. Ou seja, em nenhum momento o filme torna-se um mero panfleto.
Na verdade, em muitos momentos Milk surge quase como um documentário, tamanho é o esforço de trazer credibilidade à obra: seja nas imagens de época, muitas vezes falsas; seja na constante reiteração das datas, sempre precisas, e sempre nos lembrando que aquela história tem um prazo final e trágico.
Mas retornando, a questão mais importante de Milk não é simplesmente a trajetória desse ativista e as merecidas conquistas que ele propagou no campo dos direitos civis. A questão que Gus Van Sant coloca é que a violência humana transcende nossas expectativas. Harvey sabia que tinha grandes chances de ser assassinado. No entanto, a morte lhe chegou pelas mãos de um colega (porém rival político) depois que perdeu seu cargo e viu em Harvey um dos culpados pelo fim do seu mandato. Tratava-se, sim, de um político conservador, mas que, pelo menos aos olhos do filme, não teria motivos ideológicos para cometer um crime.
Gus Van Sant, desse modo, pontua sua perplexidade frente à natureza humana e rememorando Elefante, filme no qual (des)investiga o massacre de 1999 na escola Colubine, segue o assassino com uma câmera suave, prenúncio da tragédia.
Se Harvey já havia se pronunciado contra a polarização entre homo e heterossexuais, falando que seu mandato seria voltado para todos, Gus Van Sant reforça essa afirmação nos mostrando que a natureza humana é sempre muito mais complexa.


